O que aconteceu?

Quais são as pequenas decisões que acabam por tornar o próximo tão distante?

Como qualquer simples conversa acaba numa discussão tão terrível? Deixamos sair de nossos lábios todo tipo de loucura, buscando incessantemente a próxima resposta que de tão afiada abria mais um pouco uma ferida que já se mostrava tão presente em nós.

A busca pela razão não existe num campo tão tempestuoso.

Onde nos perdemos?

Onde nos perdemos de nós mesmos?

E como faço pra reencontrar minha essência?

Minhas certezas.

Como faço pra me reencontrar e me reconhecer no espelho? No meu espelho.

SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.